Comecei a escutar o poema: o rapaz recitando num palquinho que ao fundo comportava dois músicos, um com violão, que de vez em quando, arriscava um acorde para “ilustrar” as palavras ditas da boca do rapaz.
Iniciou (o rapaz) com palavras que eu desacompanhei distraída com o cartaz atrás dele, que também não me fez sentido algum, cheio de palavras que faziam muito sentido, se você não estivesse na minha cabeça.
As imagens vinham como flashes rápidos e estáticos na minha frente, assim então, senti estranhar aquela sensação incrível, uma perturbação que não devia me perturbar, não naquela hora. Voltei de novo para o rapaz, o cartaz, o violão e me deparei com o espanto deles, aliás, não só deles: cada pessoa do local deveria estar me olhando, as que não estavam boquiabertas, gritavam ao meu redor, chorando por algo chocante, algo chocante em mim.
A mulher que se ajoelhou do meu lado foi empurrada por um careca de olhos arregalados, nada cavalheiro; tentei protestar contra a atitude daquele homem, mas o meu peito ardeu num simples gesto do braço esquerdo. A mulher, amedrontada subiu numa espécie de púlpito e pôs-se a reclamar um médico no local, com uma voz tão aguda que foi o suficiente para o ferimento arder mais ainda. A minha única opção foi fechar os olhos, apertá-los bem forte, pressionar o ferimento e então...
Abri os olhos. Deparei-me com todas aquelas pessoas de novo, mas não estavam sobre mim, pedindo que eu não parasse de falar, para terem certeza de que eu continuaria viva, estavam agora amontoadas no centro do salão, procurando alguma coisa, talvez estivessem ajudando mais alguém que também estava correndo tanto perigo quanto eu; o amontoado se dispersou quando o homem careca, aquele que não havia sido nada cavalheiro, mandou que todos saíssem em ordem dali, que seguissem o caminho para a saída da esquerda:
– Não há mais nada que possamos fazer, só podemos esperar pelos médicos. Saiam, saiam!
Caminhei vagarosamente, cambaleante, até o centro do salão, onde supostamente estaria a outra vítima. O meu espanto foi em ver que não era alguém conhecido ou desconhecido, que vestia um casaquinho azul marinho como o meu e usava os mesmos sapatos que eu havia comprado para a ocasião. Havia um ferimento rubro no peito esquerdo e a vítima já pendia inconsciente no chão, ainda tentando estancar o sangue com a mão direita, o rosto manchado de maquiagem borrada dos olhos também manchou o meu rosto, quando observei o espelho perto do banheiro. Entendi então, que via ali no salão de festas o fim prematuro que me foi proporcionado, concedido sem um pedido de minha parte, sem aviso prévio, nem educação. Sentei-me do meu lado por alguns minutos, me despedi (ainda em choque) e caminhei para a saída mais difícil de todas: a morte.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

25 comentários:
Muito bom o texto, excelente descrição e anbientação. Eu tenho estilo parecido da uma olhada no meu blog e ve o q vc acha
PS: por ter gostado e nós termos estilos parecidos vou linkar o teu, se vc gostar linka o meu tb ae
PS: http://confissoesdamadrugada.blogspot.com/
Caraca... E agora? A morte?!?
Continua quando?
Saída pela tangente.
Gostei do seu post e de como escreve!
Depois da morte não a mais nada, não é mesmo!?
vc escreve bemm..
parabenss
=P
-----------
Você é fã do universo otaku??
quer saber de tudo e mais um poucoo?
adora animes, mangás, games e derivados ??
então não deixe de acessar
e comentarr..
123pontinhos tudo isso e muito mais...
http://123pontinhos.blogspot.com/
Puxa vida...que narrativa surpreendente sobre a morte!
Abraço
Gostei do seu blog!
vc escreve super bem!
beijoss
Nossa muito bom o texto, fiquei lendo nervosa pra saber o final que já imaginada hahaah. Muito bom mesmo!
gostei do texto, me lembrou, muito que vagamente, "a morte rubra", de edgard allan poe.
continue escrvendo, faz bem, e no seu caso vale a pena.
abraço.
Adorei a sua escrita. Depois comenta no meu, que eu volto pra retribuir.
Essa da morte dá uma ótima música, dá até pra ver o clipe.
http://diegohag.blogspot.com
olá linda,adorei seu post viu,é uma leitura muito fostosa de curtir,parabéns..será um prrazer voltar e ler aos demais.beijosss
boa sorte
Gostei do que eu li aqui mocinha! Um supense, bem diferente do meu que é de comédia, mas é muito bom. Só gostaria de te dar uma sugestão, se me permitir:ocê poderia enumerar os capítulos, pois assim fica mais fácil de acompanhar, e eu quero acompanhar!
http://diegohag.blogspot.com
Aguarde um retorno!
Com certeza a morte é a saída mais difícil de todas e infelizmente é uma coisa que vai acontecer.
A morte pode ser horrível para alguns. Chega a ser desesperador saber que você vai perder o contato com as pessoas/coisas/animais para sempre! Nem gosto de pensar nisso. =S
PS: você comentou no meu texto "A Caverna". Já disponibilizei o texto comentado se você quiser conferir! =D
Simplesmente fantástico!
Você escreve de uma forma que agente fica querendo saber o que acontece no final, escreve de um jeito que nos deixa com gostinho de quero-mais.
Amei seu blog! vou acompanhar e colocar na minha listinha de links!
beijo!
Olá linda,tudo bom ?
gostei muito do seu post,a leitura é muito bacana....parabéns viu...beijossss e até a próxima........bjs
Eu quero mais..
Confesso que não sou adepta de ler texto longos dos outros blogs..
Agora eu começei a ler o seu texto e quero mais...muito bom
manda a outra parteeeeeeeeeeee...
O_o
a morte para alguns pode ser o fim...mas para otros apenas um começo...temos que viver cada dia..como s efosse o ultimo...
o texto é surpreendente, mas um tanto trágico.
Você escreve muito bem.
Texto muito bom...narrado com maestria
Nossa!
Cheguei a me arrepiar...
Muito bom!
Bjs!
Dany
quando é que sai o livro ein ?
memorias postumas de jessica ???
o resto não preciso nem falar né ;)
muito bom!!!
parabéns!!!
Postar um comentário