domingo, 26 de abril de 2009

Lado A ou lado B?

E aconteceu assim:
Menina que sentou na certeira da frente – Né verdade?
Eu – Hein?
Menina – Não verdade que não dá pra sair de casa de manhã sem comer alguma coisa? Pelo menos um suquinho?
Eu – Ah... É, não dá, não.
Menina pra garota do lado – Viu só! (e aperta a minha mão num gesto de “companheirismo”)
Eu penso – Eu nunca tomo café de manhã, me dá enjôo.

Vocês acabaram de ler o que aconteceu comigo (de verdade, dessa vez) essa semana.
Eu, pessoa “tímida”, estava mais de dois meses sem falar com ninguém da sala do cursinho que eu freqüento, não porque eu não gostava de ninguém (não conhecia ninguém mesmo!), mas porque eu estava esperando uma “alma caridosa” vir falar comigo, então aconteceu de alguém vir falar e eu, pessoa que você pode classificar como “desesperada por uma amizade em qualquer lugar” (sempre fui assim), acabei mentindo pra agradar a opinião alheia e, assim, finalmente começar a falar com alguém, me integrar num grupo qualquer. Sim, só pra me “integrar”.
Depois disso, acabei pensando quantas vezes eu já não fiz algo parecido ou igual e imagina o quanto eu me chateei em perceber que foram muitas, isso desde criança. Por exemplo: chega algum conhecido e começa a falar sobre algum filme que eu adorei, que achei super bacana e tal, e diz “Ahhh... Mas esse filme não é lá essas coisas! Não entendo porque ganhou aquele Oscar com tanto clichê!”, num momentos desses eu tenho que dizer que gosto do filme e defender a minha opinião, mas eu simplesmente não faço isso. ._.
Acho que essa necessidade de ser aceita por qualquer pessoa é mesmo idiota, eu sei que é (e que você também deve achar isso), mas acabou virando um costume (péssimo, “vamo combinar”) pra mim, algo “cotidiano”, que eu faço com qualquer pessoa que eu não conheça.
Triste, numa palavra só, mas que definitivamente não é necessário. Eu podia muito bem ter dito pra tal Menina que eu só como alguma coisa “de manhã” quando acordo tarde, tipo 12:00h, direto pra almoçar. Também devia ter dito pro conhecido que “Quem Quer Ser Um Milionário” é um dos meus filmes prediletos, mesmo que o final seja daqueles “Felizes Para Sempre” (ou se você preferir, “clichê”), assim como também devia ter reivindicando o quanto a série Crepúsculo é boa quando me disseram que era um “romancezinho barato” e que eu prefiro ir no show do McFly em maio ao invés de ir pro show do Oasis, mas porque eu não disse? Ta, eu sei a resposta: medo de não ser aceita, simples. Mas, por que, ao invés de tentar ser aceita pelos outros, eu não tento me aceitar primeiro?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Teoria(s)

Ainda agora eu tava lendo um post do Blue’s Spot, blog de um amigo meu. O post falava sobre Tao (pra quem não conhece, “joga no Google”). No momento em que eu li o tal post, confesso que fiquei confusa (porque sou meio lenta), mas depois, como é de costume, “obedeci as regras” e refleti isso:

Tao nada mais é do que um Caminho, pelo menos assim está escrito no Wikipédia, mas que é Absoluto. Não vou classificar como religião, não é justo. Digamos que Tao é Tao, não pode ser religião porque é algo maior que somente espiritualidade, ele transcende esse plano que se apóia somente em divindades e fé. Tao é um estado, não físico, não espiritual, algo inexplicável, mas, acredito eu, sensível.
Um dia desses, conversando com esse mesmo amigo, estávamos discutindo sobre Deus (sim, sobre Ele mesmo), o que ele significava para cada um de nós. Se eu não me engano, esse meu amigo (o dono do Blue’s Spot), me falou que Deus é maior que todos nós e, que de alguma for, nós é que estamos dentro dele, nós é que fazemos parte dele. Não me lembro de ter argumentado alguma opinião minha, mas aqui está: não, eu não acho que Deus (ou força superiror, ou Alá, ou Buda, ou qualquer outra divindade) esteja acima de nós e acredito nisso profundamente. Como você explicaria tantos nomes diferentes para um só Deus (inclusive “Deus” - mas enfim, não é essa a pergunta ou lugar onde que quero chegar com esse post; ainda não terminei a minha “opinião escrita” )?
Ele, não está “acima” de nós, está dentro de cada um de nós, ele nos completa e equilibra entre os nossos defeitos e virtudes, faz parte da mente e do corpo, do espírito e do físico, do externo e interno. Faz parte de tudo, mas somente porque ele está dentro de nós.
O meu Deus me compreende e me castiga, mas isso não passa de uma reflexão interior de “mim mesma”. Ele é a minha consciência, por isso, também não deixa de ser o caminho certo, assim como também existe o errado.
Então, você me pergunta: “E quando alguém mata outra pessoa, onde estaria esse Deus-Consciência?”. Bem, alguém mataria outra pessoa com que consciência? Ela/Ele não existe nessa pessoa, pois ela não escuta a si mesma, o que está óbvio, contudo, distante; apenas as vontades estão falando e a pessoa só poderá escutar isso. Não pense que Deus-Consciência não está lá, porque está e sempre vai estar (pois o homem se diferencia dos outros animais pela inteligência que tem), mas o problema é a pessoa conseguir seguir a inteligência e não as vontades.

Então Deus existe, ele está dentro de mim, reunindo em equilíbrio a mente(inteligência) e o coração (vontades). E para você, onde está?


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Vamos deixar alguns pontos claros aqui: 1) Tao foi uma inspiração para o post e nada mais; 2) nesse post, eu não condeno a existência de Deus em momento algum, assim como não questiono a existência Dele. Também peço desculpa se ofendi a fé de alguém, mas blogs foram feitos para se publicar o que se pensa, independente da opinião dos leitores (não estou certa?). Se você, em algum trecho do texto, se sentiu ofendido, sinta-se a vontade para comentar sobre isso, mas não esqueça de ser educado, pois nenhum de nós somos obrigados a ler o que não queremos.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Tentando entender

Às vezes eu penso como o tempo já não é suficiente, como 24 horas já não completam mais um dia. Talvez isso te mostre o quanto fazes por ti – ou seja, nada – e o quanto fazes “por eles”, que não tem nada a ver contigo, são apenas “pessoas”, “indivíduos”. Digo então que tenho pena de ti – e muita -, pois gastas os teus segundos preciosos com os outros, não fazendo o que queres fazer, não sendo de carne e osso.
E mais que isso, tenho pena de te olhar no espelho! Sim, porque és controlado pelo invisível, obedeces ao sensível, com uma mente fraca e submissa a qualquer ordem.
Então perguntas “E o que te controla?”, mas a resposta não existe, talvez porque ela esteja dentro (profundamente) de mim, onde eu não alcanço mais, ou externa de mais para eu poder enxergar.
Pra ser sincera eu sei (ou penso saber): é uma espécie de força que não é minha, que é “involuntária”. Essa vontade chega a mover as minhas pernas até o trabalho, sem que eu mesma note isso (digo, notasse).
Quando essa força se distrai eu aproveito pra pensar, a força não permite que eu pense: “É perda de tempo!” ela grita, e volta a me castigar, fazendo com que as minhas pernas e mãos trabalhem mais rápido que a minha cabeça, dificultando mais tarde a pulsação dos pensamentos – todos perdidos!


A pior morte não é a física, mas a do ser, da alma. Se for assim, interrompe-se além do cotidiano; interrompe-se o homem na Terra.


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Texto escrito depois de uma aula de filosofia (não tente entender), que, aparentemente, não foi proveitosa.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A saída

Comecei a escutar o poema: o rapaz recitando num palquinho que ao fundo comportava dois músicos, um com violão, que de vez em quando, arriscava um acorde para “ilustrar” as palavras ditas da boca do rapaz.
Iniciou (o rapaz) com palavras que eu desacompanhei distraída com o cartaz atrás dele, que também não me fez sentido algum, cheio de palavras que faziam muito sentido, se você não estivesse na minha cabeça.
As imagens vinham como flashes rápidos e estáticos na minha frente, assim então, senti estranhar aquela sensação incrível, uma perturbação que não devia me perturbar, não naquela hora. Voltei de novo para o rapaz, o cartaz, o violão e me deparei com o espanto deles, aliás, não só deles: cada pessoa do local deveria estar me olhando, as que não estavam boquiabertas, gritavam ao meu redor, chorando por algo chocante, algo chocante em mim.
A mulher que se ajoelhou do meu lado foi empurrada por um careca de olhos arregalados, nada cavalheiro; tentei protestar contra a atitude daquele homem, mas o meu peito ardeu num simples gesto do braço esquerdo. A mulher, amedrontada subiu numa espécie de púlpito e pôs-se a reclamar um médico no local, com uma voz tão aguda que foi o suficiente para o ferimento arder mais ainda. A minha única opção foi fechar os olhos, apertá-los bem forte, pressionar o ferimento e então...
Abri os olhos. Deparei-me com todas aquelas pessoas de novo, mas não estavam sobre mim, pedindo que eu não parasse de falar, para terem certeza de que eu continuaria viva, estavam agora amontoadas no centro do salão, procurando alguma coisa, talvez estivessem ajudando mais alguém que também estava correndo tanto perigo quanto eu; o amontoado se dispersou quando o homem careca, aquele que não havia sido nada cavalheiro, mandou que todos saíssem em ordem dali, que seguissem o caminho para a saída da esquerda:
– Não há mais nada que possamos fazer, só podemos esperar pelos médicos. Saiam, saiam!
Caminhei vagarosamente, cambaleante, até o centro do salão, onde supostamente estaria a outra vítima. O meu espanto foi em ver que não era alguém conhecido ou desconhecido, que vestia um casaquinho azul marinho como o meu e usava os mesmos sapatos que eu havia comprado para a ocasião. Havia um ferimento rubro no peito esquerdo e a vítima já pendia inconsciente no chão, ainda tentando estancar o sangue com a mão direita, o rosto manchado de maquiagem borrada dos olhos também manchou o meu rosto, quando observei o espelho perto do banheiro. Entendi então, que via ali no salão de festas o fim prematuro que me foi proporcionado, concedido sem um pedido de minha parte, sem aviso prévio, nem educação. Sentei-me do meu lado por alguns minutos, me despedi (ainda em choque) e caminhei para a saída mais difícil de todas: a morte.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

O tempo não se inspira

Tic
Bate o segundo nos meus ouvidos surdos de inspiração
Tac
Lápis, papel e linhas se arranjam sem harmonia num pensamento
Tic
Segundos de palavras atravessando o grafite
Tac
Ainda assim, página em branco de mim
Tic
Entrelinhas começam a revelar quem eu sou
Tac
O silêncio pensante no pensamento do próximo traço de letra
Tic
Eu, cheia de pensar quais letras
Tac
Mas as letras atrás de mim.


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Ta muito difícil se inspirar ultimamente.

domingo, 5 de abril de 2009

Primeiro

Parados, enfrentando um ao outro: ele, com os olhos próximos de mais, me obrigando a sentir a respiração ofegante em seus pulmões atravessando o seu peito, sem ao menos disfarçar. Eu, por outro lado, não respirei, aliás, não respirei, não pensei, não vi, nem toquei; aquilo exigia mais de cinco sentidos, mais da imaginação.
Aproximou-se mais um pouco, os lhos invadiram mais ainda a minha privacidade, agora, revelada.
As mãos, então, se tocaram: abriu o meu punho fortemente fechado com as pontas dos dedos, deslizando mais que gentil pela palma da minha mão, já aberta; fincaram-se, no fim, as duas mãos em um aperto nada amigável, mas puro, macio. Olhei novamente o rosto estático que pairava a centímetros da minha face, sem poder pensar.
Iniciou com os narizes se tocando, num rápido instante, escancarando ainda mais a privacidade, os hálitos se misturando nos pequeno espaço entre nós, as pálpebras caindo nos fechar dos olhos, o peito flutuando com as ansiedade, com o medo, com a felicidade...
Vieram então os lábios, completos intrusos, que foram, ainda assim, muito bem recebidos, encaixando perfeitamente na minha imaginação, na minha boca, no meu coração, nas memórias, pra sempre.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Paulina

Paulina entra no banheiro
Paulina acende a luz
Paulina arruma a toalha no gancho
Paulina tira a blusa
Paulina tira as calças
O Espelho olha Paulina
Paulina olha para si
Paulina evitou o Espelho
Paulina tira o sutiã e a calcinha
O Espelho olha Paulina
O Espelho empina o nariz para Paulina
O Espelho ri de Paulina
Paulina chora ao ver Paulina no Espelho.



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p.s.: pedoem a minha falta de criatividade.
p.s².: selo novo, dado pela Casa do Besouro (visitem que vale a pena).