A tarde estava excepcionalmente tranquila: havia uma monotonia adorável na forma como as nuvens atravessavam o céu e o imenso “teto azul” bocejava preguiça para quem se atrevesse a contemplá-lo.
O meu velho par de chinelos massacrava a graminha excessivamente verde e cheirosa do jardim, ao fundo, pude escutar o som das correias de bicicleta a tilintar e latidos frequentes dos cães da rua; estes últimos, provavelmente seguiam as bicicletas.
Depois de alguns longos minutos arrastados pelas nuvens, ergui o copo de refrigerante até a boca, bebi um gole gelado, grande, vagaroso. Abri os olhos ardidos do gole e me acomodei mais ainda na espreguiçadeira do jardim, que me pareceu afagar as costas em um tenro “gesto” de conforto.
Deitado ali, sem pensar muito, pretendi ficar até o pôr-do-sol, esperando pacientemente o quadro móvel do céu mudar completamente de traços, linhas e cores. Somente eu, o par de chinelos velhos e o copo de refrigerante gelado durante o dia todo, durante o domingo todo, na espreguiçadeira quase maternal, escutando os típicos sonsinhos do bairro, que me caiam como música pela tarde toda.
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domingo, 29 de março de 2009
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