Quando Sofia morrer, o céu não será mais azul e as flores perderão os perfumes, a grama do quintal será queimada e as nuvens cairão em tempestades.
Quando Sofia morrer, os lençóis brancos da cama de casal ficarão encardidos, as cortinas estarão sempre fechadas e a lareira sempre acesa. O gato pulará da janela, procurando comida, o peixe saltará o aquário, procurando companhia; o vizinho cumulará pedidos de “xícaras de açúcar”, o carteiro terá um endereço a menos, os amigos terão um amigo a menos; o piano desafinará, as cordas de violão se arrebentarão.
Quando Sofia morrer, as lagartas não produzirão casulos, as borboletas entrarão em extinção; as luas vão explodir em cacos de vasos quebrados, os pássaros perderão as suas penas; a manhã nascerá deformada e o crepúsculo será cinza; a imensidão do universo há de parar de crescer e o oxigênio se tornará lenda.
Quando Sofia morrer, as páginas do seu livro serão arrancadas pelo tempo e a tinta do papel escorrerá a terra; as luzes se apagarão em perfeita sincronia, e os cegos perderão as esperanças.
Quando Sofia morrer, o enterro não acontecerá, pois a terra há de se recusar em receber a beleza ainda viva; o Sol não se permitirá mais acordar e as estrelas explodirão em arrependimentos tardios, em desculpas mal dadas, em desejos não atendidos, em sonhos perdidos.
Se Sofia ainda tivesse coragem de voltar atrás, me tomaria o punhal e diria que me amava, mesmo entendendo a deficiência do meu amor. Contudo, Sofia insiste que eu não sou sua vida, que é tudo mentira. Se, para ela, a vida não foi feita para nós dois, a vida, então, será somente para mim.
domingo, 21 de junho de 2009
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19 comentários:
Menina, que texto lindo.
Apesar de não concordar com algumas construções, por achar simples demais, (tipo crepúsculo cinza, pq não, crepúsculo com as cores da trsiteza, ou coisa que o valha) adorei mesmmo.
Forte, ousado, pungente.
Continue assim e não se deixe iludir por aqueles que acham que blog tem que ser texto curtinho ou besteirinha mimimi... va é escritora sim.
E depende muito de quanto queira investir nisso :)
http://martonolympio.blogspot.com/
:)
Lindo texto, é seu? Gostei bastante... Apesar de triste rs
T+
gostei muito.... suave , e quem sabe ate ludico !! parabens ...
Belíssimo texto viu,mas vejo a Sofia como qualquer um de nós.
Quando alguém morre fica um vazio naquele lugar.
Vc explicou isso mt bem, parabéns :*
Cada um tem a opinião sobre as coisas...
E a opinião só muda pelo valor que damos a ela. Lembrou, assim, bem longe... De Romeu e Julieta. Tá, eu sei que viajei legal agora. Mas foi só uma idéia que tive.
E você descreveu muito bem a falta de uma pessoas.
E é como você disse lá no Sêmica: "As descrições formam imagens perfeitas de momentos que você talvez jamais tenha vivido, mas que pode viver lendo-os aqui. Poucos autores conseguem esta façanha."
não sei de onde você tira tanta beleza e delicadeza...
tá simplesmente lindo :D
como sempre ^^
beijo :*
Olá Jéssica... vim para retribuir sua visita.
Sempre que quiser compar um livro, ou saber algo sobre algum, passe no Outras Estórias e clique no link da Livraria Cultura.
Por ser leitora do blog, vc ganha descontos especiais.
Passe mais vezes.
Coitado do mundo de Sofia. Tanto trabalho para nada.
Vc atualiza o blog sempre?
U... au! rs. Muuuuito bom msmo o texto, cheio de poesia e um jeito único, absoluto, de escrever e de expressar sentimentos... Quase soou real! Parabéns pelo enorme talento, e será uma honra tê-la como colaboradora do meu blog! Pode mandar por e-mail msmo, eh: ce.coletti@hotmail.com
Abraço
P.S.: o nome do autor, no blog, está sempre escrito depois do título, em negrito... rs eh difícil de perceber neh?
Parabéns. Amei mesmo seu blog. Seu texto é muito bom.
http://genilsonaraujo.wordpress.com/
Gostei muito, cada construção e frase, a forma da montagem ficou muito boa no fim.
Também penso como a Agda, me lembrou Romeu e Julieta, lembrou eu e o amor da minha "vida"; mas só lembrou, porque seu texto descreve um casal único, que mesmo com histórias tão semelhantes, tem características só suas...
Ah, a minha filha via se chamar Sofia, por isso amei mais ainda o texto! Porque você retratou a Sofia como uma mulher linda, alegre e cheia de vida! Pode parecer besteira mas eu me importo...xD
Presentinho pra você lá no blog (penúltimo pot)
Tem horas que eu penso que, quando Sofia morrer, muito da graça da vida de muita gente vai se perder.
E também a poesia do respirar deixará de rimar!
Desfalecendo no respirar casual. Sofia representa idéias tranfiadas e proibidas... Perdemos a perceção das cores quando isto acontece.
Excelente, pura comoção. Bjos e sinto falta do teus coments. sniff.
Jéssica
Parabéns pelo texto.
Você escreve muito bem.
A organização do blog e as imagens que você utilizou estão excelentes.
Muitos parabéns e sucesso!
oi!
vc passou la no Borboletas paraliticas...
brigada pela visita...
seu exto é lindo...é suave,doce...cheio de poesia!
eu gostei de verdade!
bom...vou seguir tb ta!?
Belo texto. Uma profundidade interessante. Só formataria melhor os parágrafos, mas a escrita está muito boa.
parabéns.
Aguardo sua visita:
http://menumulher.wordpress.com/2009/06/25/124/
A morte é um assunto intrigante!
Por melhor que seja a visão e opinião que temos dela, quando acontece com alguém próximo, da família, amigos, etc... toda a teoria vai por água a baixo!
O seu texto é muito bonito, melancôlico... Ainda bem que estamos vivos (ous será que esse comentário é psicografado?!). kkkkk
Bjs
perfeeeeito esse texto. Linkei vc. =*
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