Esvaziaram-se todas as páginas que você me ajudou a escrever. Parei de perceber o tom diferenciado do azul no céu, o som flutuante dos seus passos, do meu coração pulsando quando sentia o seu hálito ou a sinfonia que tocava quando você dizia “bom dia”.
Ainda vasculho as montanhas de papeis todos os dias, completamente brancas, limpas, sem um rabisco sequer, tentando achar alguma palavra ou uma sílaba qualquer que me mostre um engano, algo que passou despercebido, um aviso prévio do nosso fim, mas não há nada, tudo branco.
Se eu já tentei jogar fora? Joguei, aliás, tentei, mas voltei a percebê-las na manhã seguinte empilhadas numa montanha branca e ainda maior que a anterior, então desisti de jogá-las pela janela e na lata de lixo. Resolvi pedir ajuda e colocar outra pessoa do lado direito da cama, com a medíocre esperança delas (folhas em branco) simplesmente saírem voando porta a fora por não agüentarem um substituto, um novo escritor, mas as páginas se multiplicaram e tomaram o lugar do meu ajudante na cama.
Houve um dia em que o encontrei na rua, na verdade, te vi de longe: primeiro não havia ninguém por perto, digo, perto de você. Nesse momento surgiu-me o ímpeto de correr e me jogar nos seus braços, mas veja só você, eu dei um único passo e ela surgiu, simplesmente materializou-se atrás de você e executou o meu plano perfeito: saiu correndo para se jogar nos seus braços... Você a acolheu num abraço apertado e, aposto, que tão macio quanto o que você costumava me dar, e olhou fundo no rosto juvenil e redondo da moça que obteve sucesso em sue plano roubado. Nesse momento eu tive duas escolhas: ou abaixava a cabeça para a xícara de café gelado ou via a verdade tornando-se realidade.
Quando retornei ao apartamento, percebi a difícil e eterna tarefa de remover todas as páginas que você me deixou e, ao abrir a bolsa que usara aquela tarde, retirei mais uma folha em branco grampeada a uma fotografia. Sentei-me na mesa e observei a imagem fotografada de vocês dois, sem beijo, sem abraço, apenas de mãos dadas, mas sorridentes e felizes enquanto entravam no carro. O papel limpo e novo que eu havia recolhido da bolsa não se juntou à pilha enorme no canto da sala, ao contrário: peguei a caneta preta de dentro da bolsa e o risquei, nada aconteceu, risquei novamente e o papel manteve-se estático, reto e rabiscado na minha frente, enquanto que os papeis empilhados viravam pó e voavam janela a fora.
Iniciei, naquele mesmo papel, com um título, o que poderia ser a nova montanha de papeis desorganizados do meu apartamento. Só me faltava um co-autor, pronto para me ajudar a escrever mais metros e metros de páginas e, quem sabe, jamais vazias.
sábado, 13 de junho de 2009
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23 comentários:
Emocionei!
Nossa você escreve muito bem, amei o texto s2
Gostei pra caramba... Seu modo de escrever me deixa muito preso ao texto, emocionado.
Abraços
Simplismente Show
Ótimo post, continue assim. Retribuindo, gostei do seu blog. Obrigado por postar e visitar o meu.
Muito bom, bem emocionante, prendeu minha atenção até o final...me identifiquei!
Parabéns pelo seu blog!
Muito bom, também tenho uns papéis em brancos que insistem em si fazer prensentes na minha casa...rs
Ótimo texto, bem emocionante!
Parabéns pelo blog!
Menina, como você escreve bem! Nem acredito que tenha apenas 18 anos. É uma jovem prodígio. Também gosto de escrever contos, navegar nas palavras e me deixar ser levadas por ela.
Abraços!
nos prende ate o final, mto legal.
parabéns!!!
bjos..
http://maria-chuteira.blogspot.com/
Metros e metros de páginas vazias para um coração que insiste em ler a mesma história.
Triste
Adorei a história, principalmente a metáfora q vc utilizou, ficou muito bom mesmo.
Nossa, é isso que me agrada nos blogs [já tive outros], a gente sempre encontra alguém que compartilha os mesmos sentimentos/confusões rsrs
Obrigada pelo comentário lá, e vou sgeuir também!
Jessica, tenho estado meio sumido do mundo blogistico... e enfim, meio sumido da vida em si
me desculpa
em relação a sua escrita, eu vejo que vc está cada vez melhor, e seus textos cada vez mais interessantes, espero que vc continue sempre progredindo, cada vez mais e mais, espero tbm que não percamos contato, como tem ocorrio ultimamente e mais uma vez... FELIZ ANIVERSÁRIO XD
até mais
P.s As vezes penso que vc entra em um estado mental diferente pra escrever seus textos XD dps te explico pq...
\o/
Nossa. Fiquei emocionado... Você escreve muito bem viu? Você conseguiu me envolver profundamente na história e olha que isso é dificil. Pude ler ai o que sempre soube e sempre saberei: O fim de um relacionamento é muito doloroso para a pessoa que ame, seja de qual maneira for.
Caramba quando você escreveu esse texto devia estar em estado de graça, é muito bom.
Parabéns!
PARABÉNS!!!!!!Adoro pessoas inteligentes e bem humoradas.Adorei seu Blog.Leve, descontraido e com um bom conteudo!
Convido vc a visitar o meu Blog TB
http://www.depoisdodiva.blogspot.com/
Sou psicologa e vou adorar ler seus comentarios por lá.
Bjs e boa semana!
Sil
Adorei seu texto, muito bom!!!
Vc escreve livros?^^hehehe
Beijos
Que txto mais completo.
Além de ser leve, traz formas de escrita que o torna envolvente.
Adoro textos assim, que trazem por fundo uma crítica, uma sugestão, um sentimento oculto.
Muito bom..
http://aindamaisestorias.blogspot.com
e participe dessa promoção
http://blogcafeexpresso.blogspot.com/2009/06/quer-ganhar-o-livro-guantanamo-boy.html
Uau, muito bem escrito! Você tem criatividade, tem estilo e tem emoção no que escreve, eu gosto disso! É realmente um tema que dá pano para manga, as decepções do amor... páginas em branco, metáfora muito boa!
Aliás, obrigado pelo link, vou passar a seguir seu blog e vou te linkar tbm... pensando nisso, aliás, keria te convidar pra escrever alguma para o Conto do Galo, estaria honrado em publicar...
Abraço
Olha,
Faço jornalismo e na faculdade não vejo tanta gente escrevendo bem assim como você! Parabéns mesmo! Texto profundo e muito bonito!!
Bjos!
Nossa que louco esse texto principalmente essa parte.
Houve um dia em que o encontrei na rua, na verdade, te vi de longe: primeiro não havia ninguém por perto, digo, perto de você. Nesse momento surgiu-me o ímpeto de correr e me jogar nos seus braços, mas veja só você, eu dei um único passo e ela surgiu.
Doooooga abortou o plano
BLOGdoRUBINHO
www.blogdorubinho.cjb.net
Adorei a forma como você se expressa. Sua linguagem toma forma, suas palavras são como contornos de algo que se materializou em minha mente, ao ler esse texto. Adorei seu blog, vejo que tem prática e gosta de escrever. Continue assim!
Um beijo.
http://omundonumabolha.blogspot.com
Lindo, lindo, lindo!!! Puxa, emoção *mode on*... haha
Seu texto, embora denso, é tão leve, que eu poderia ler um livro inteiro seu e, por mais que eu absorvesse muitas informações, no final me pareceria um livro com várias e várias páginas vazias ;)
Bem bacana, e aproveitando... posso linkar também?
http://musica-urbana.blogspot.com
bjsss
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