Primeira bolha:
Depois do vestibular (que eu não passei), uma amiguinha² vem me falar:
- Ai, amiga, eu precisava te falar uma coisa!
- Diz...
- Sabe o que é? É que... Ai, você não dá mesmo pra ser psicóloga!
- Hm... É... E por quê?
- Ah, você é cheia de problemas, sabe? Inclusive eu tava comentando com a minha mãe um dia: “mãe, eu tenho uma amiga que seria uma péssima psicóloga! Ela tem tanto, mas tanto problema na vida que eu acho que se ela ainda fosse tratar os problemas dos outros ela cortaria os pulsos dela!”
- (Inexpressividade facial ._.)
Poxa, legal quando você pode dar conselhos para amigos, ajudar inclusive a pessoa a passar por conflitos bobos, na maioria das vezes, mas que, quando superados, “fazem a diferença”. Ah, e adivinha quem sonha em estudar psicologia nesse blog? Pois é.
Segunda bolha:
Menina entra na sala, se senta perto do namorado e começa a fazer uma redação. Quando termina, dirigi-se ao professor, para que a redação seja corrigida, então, Menina volta alegremente para a sua carteira, a fim de dar um beijinho carinhoso na cabeça de Namorado:
- (Beijinho carinhoso na cabeça do Namorado)
- (Menino levanta a cabeça – Não é Namorado)
- Ai, desculpa!
- Tudo bem. – Menino dá uma risadinha e pensa, provavelmente, que ele podia muito bem ser Namorado.
(FIM DE AULA)
- E aí? Achou o teu namorado?
- Achei... – Menina responde.
O mais engraçado é encontrar o mesmo Menino numa festa um ano depois, e a sua amiga (a da Menina) querer juntar os dois na festa de aniversário dela. O mundo é muito pequeno, muito.
Terceira bolha:
Essa é mais séria, envolve confiança e amizade.
Lá vai:
Camilo² era um menino que amava música e odiava solidão, como qualquer ser humano normal. Um dia, Camilo perdeu a cabeça, achou que sem alguém a vida não passava de uma existência medíocre, que a vida era nada sem Ella. Confundiu-se, chorou, pediu perdão, pediu reconciliação, mas o destino insistiu que, se ele não aprendesse ali, naquele momento, o que é ser feliz sozinho, ele não aprenderia outra hora, tinha que ser “agora”.
Camilo, então, decidiu virar amigo da solidão, do “lado vazio” da cama, do banco da pracinha, do sofá vazio. Decidiu que, sem Ella, ele viveria vagando por aí, no meio de todo mundo, mas ao mesmo tempo, sem ninguém.
Por sorte, Camilo era amado por seus amigos, mas por azar, Camilo havia se tornado cego, não queria enxergar um problema ocupante do lado vazio da cama, do banco da pracinha e do sofá. Aos poucos, o problema preencheu por inteiro o lugar de Ella, tomando-lhe a figura de companhia, só que dessa vez, não era a companhia perfeita.
Tem horas na vida que, por mais que os seus amigos tentem te ajudar, te mostrem o problema da forma mais clara possível, você simplesmente não quer enxergar, quer viver o problema, não pra sofrer, mas pra preencher um vazio.
A sorte do nosso personagem que a cegueira que ele porta tem cura, em longo prazo, mas tem, só é preciso que ele esteja disposto a fechar a ferida que o tempo quis abrir no coração e nas lembranças dele.
Ah, e essa última bolha pro melhor amigo da blogueira aqui. =)
¹ Por que “bolhas”? Bem, uma amiga minha fez aniversário da segunda-feira, fez 19 anos. O brinde do aniversário, além de pirulitos sabor cereja, continha também “Bolhinhas de Sabão (Atóxica e Perfumada)”. O título “Bolhas” é diretamente relacionado ao fato de que, quando eu era criança, nunca brincava com bolhas, raramente elas “apareciam na minha frente” (coisas do cotidiano). Desde que eu abri o saquinho do brinde e vi o tubinho verde, não paro de fazer bolhas por aí... Quer dizer, na janela gradeada do meu quarto, alegrando os peões de obra dos prédios que estão sendo construídos no meu bairro. Acho que eles nunca se divertiram tanto no trabalho como se divertem nessa construção aqui do lado.
² Essas pessoas realmente existem, mas não é necessário escrever os nomes reais.
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sábado, 9 de maio de 2009
sexta-feira, 13 de março de 2009
Aos velhos tempos
Bem, como iniciar esse post? Admitindo, eu acho, admitindo que eu tenho saudades.
Eu não sei se isso começou porque era de madrugada (madrugadas tendem a me fazer sentir incrivelmente solitária e nostálgica) ou porque já faz meses que eu não saio de casa (não são “meeeeeeses”, são dois meses na verdade), mas eu comecei a me sentir culpada (e muito), uma criança boba que tinha feito uma besteira na cozinha e depois fugido para que ninguém percebesse o que ela tinha quebrado por lá.
No post anterior eu descrevi algumas lembranças, com algumas mais importantes que outras. Tem uma, seu eu não me engano é a de número 4, contando que eu tive que me separar de uns amigos (de novo), mas não contei porque, não dei motivo nenhum e a lembrança ficou lá, jogada, sem motivo algum. Bem, ainda que seja doloroso falar no que aconteceu (mesmo lembrar já me dá pena), eu decidi que preciso me redimir, não só com essas pessoas, mas comigo mesma, pois a estória foi a seguinte:
“Era uma vez uma menina chamada... Jéssica (que original) que vivia perdida no mundo, porque nunca encontrava amizades que durassem mais de um ano. Num belo dia de aula, Jéssica olhou para os lados e percebeu que estava feliz, pois já encontrara as pessoas certas; imagine o quanto ela ficou feliz de saber que existiam pessoas que pensavam e se expressavam como ela, ‘esses são os dias mais felizes da minha vida’ ela pensou.
Chegou então o dia em que ela sentiu algo estranho, muito estranho. Parecia que alguém tinha cravado algo no seu coração e na sua mente. A dor foi tanta que ela se isolou de todas aquelas pessoas ao redor dela. E pensar que tudo isso foi por causa de uma só pessoa.
O tempo passou e com ele a dor se acomodou dentro dela, deixando que retornasse ao lugar onde tudo havia acontecido, mas com uma condição. A dor no peito de Jéssica mandou que ela jamais retornasse a falar com qualquer pessoa que retornasse as velhas lembranças, pois ela, a Dor, não se conformaria com aquilo e voltaria a lhe perturbar.
Jéssica não teve outra escolha e nunca mais voltou a falar com aquelas pessoas.”
FIM (ou não)
Bom, a historinha não ficou lá essas coisas (mas foi de propósito, ta?), mas deu para entender.
É, “eu” escolhi não falar com mais ninguém porque eu tinha medo, eu não consigo enfrentar problemas quando eu vejo um na minha frente, eu simplesmente “corro feito uma criança que quebrou o vaso chinês da sala” (o que é ridículo, eu sei), mas as coisas mudam. No meu caso, eu não sei se mudam por impulso, pelo sentimento, por saudade, mas eu consigo sentir a Dor se mudando, saindo daqui de dentro, migrando não pra que lugar, dizendo “adeus, Jéssica, não sentirei saudades de você” (“é recíproco” eu digo), me livrando de mim mesma, com um longo caminho aberto.
Nesse caminho há várias paradas, cada uma delas remete ao meu passado e vão aparecendo uma de cada vez, à medida que eu me lembro de alguma coisa mal resolvida de lá de trás.
Tudo bem, eu sei que o post começou a ficar confuso, mas o que eu realmente quero dizer é: sim, eu admito, tenho saudades desse tal grupo daí de cima (que o mesmo do post anterior) e faria coisas até um tanto absurdas (lê-se “coisas que eu normalmente não faria” – não que essas coisas sejam absurdas) para voltar no tempo, apesar de eu ter plena consciência de que ele nunca volta, como uma dessas pessoas me disse uma vez.
Enfim... Talvez esse post esteja querendo dizer que quer aquilo de volta, pelo menos um pouquinho, se não for pedir muito, e que ele tem certeza, principalmente agora, que o arrependimento só vem quando a gente não faz o que quer
Fui clara? Então acho que esse texto foi pra você que leu e lembrou de tudo e também ta com saudade.
Agora sim, “FIM”.
p.s.: obrigada pelo título, khelson.
Eu não sei se isso começou porque era de madrugada (madrugadas tendem a me fazer sentir incrivelmente solitária e nostálgica) ou porque já faz meses que eu não saio de casa (não são “meeeeeeses”, são dois meses na verdade), mas eu comecei a me sentir culpada (e muito), uma criança boba que tinha feito uma besteira na cozinha e depois fugido para que ninguém percebesse o que ela tinha quebrado por lá.
No post anterior eu descrevi algumas lembranças, com algumas mais importantes que outras. Tem uma, seu eu não me engano é a de número 4, contando que eu tive que me separar de uns amigos (de novo), mas não contei porque, não dei motivo nenhum e a lembrança ficou lá, jogada, sem motivo algum. Bem, ainda que seja doloroso falar no que aconteceu (mesmo lembrar já me dá pena), eu decidi que preciso me redimir, não só com essas pessoas, mas comigo mesma, pois a estória foi a seguinte:
“Era uma vez uma menina chamada... Jéssica (que original) que vivia perdida no mundo, porque nunca encontrava amizades que durassem mais de um ano. Num belo dia de aula, Jéssica olhou para os lados e percebeu que estava feliz, pois já encontrara as pessoas certas; imagine o quanto ela ficou feliz de saber que existiam pessoas que pensavam e se expressavam como ela, ‘esses são os dias mais felizes da minha vida’ ela pensou.
Chegou então o dia em que ela sentiu algo estranho, muito estranho. Parecia que alguém tinha cravado algo no seu coração e na sua mente. A dor foi tanta que ela se isolou de todas aquelas pessoas ao redor dela. E pensar que tudo isso foi por causa de uma só pessoa.
O tempo passou e com ele a dor se acomodou dentro dela, deixando que retornasse ao lugar onde tudo havia acontecido, mas com uma condição. A dor no peito de Jéssica mandou que ela jamais retornasse a falar com qualquer pessoa que retornasse as velhas lembranças, pois ela, a Dor, não se conformaria com aquilo e voltaria a lhe perturbar.
Jéssica não teve outra escolha e nunca mais voltou a falar com aquelas pessoas.”
FIM (ou não)
Bom, a historinha não ficou lá essas coisas (mas foi de propósito, ta?), mas deu para entender.
É, “eu” escolhi não falar com mais ninguém porque eu tinha medo, eu não consigo enfrentar problemas quando eu vejo um na minha frente, eu simplesmente “corro feito uma criança que quebrou o vaso chinês da sala” (o que é ridículo, eu sei), mas as coisas mudam. No meu caso, eu não sei se mudam por impulso, pelo sentimento, por saudade, mas eu consigo sentir a Dor se mudando, saindo daqui de dentro, migrando não pra que lugar, dizendo “adeus, Jéssica, não sentirei saudades de você” (“é recíproco” eu digo), me livrando de mim mesma, com um longo caminho aberto.
Nesse caminho há várias paradas, cada uma delas remete ao meu passado e vão aparecendo uma de cada vez, à medida que eu me lembro de alguma coisa mal resolvida de lá de trás.
Tudo bem, eu sei que o post começou a ficar confuso, mas o que eu realmente quero dizer é: sim, eu admito, tenho saudades desse tal grupo daí de cima (que o mesmo do post anterior) e faria coisas até um tanto absurdas (lê-se “coisas que eu normalmente não faria” – não que essas coisas sejam absurdas) para voltar no tempo, apesar de eu ter plena consciência de que ele nunca volta, como uma dessas pessoas me disse uma vez.
Enfim... Talvez esse post esteja querendo dizer que quer aquilo de volta, pelo menos um pouquinho, se não for pedir muito, e que ele tem certeza, principalmente agora, que o arrependimento só vem quando a gente não faz o que quer
Fui clara? Então acho que esse texto foi pra você que leu e lembrou de tudo e também ta com saudade.
Agora sim, “FIM”.
p.s.: obrigada pelo título, khelson.
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