sexta-feira, 15 de maio de 2009

A fuga de Júlio

Ao acordar, Júlio espreguiçou-se e levantou bocejando sem cobrir a boca, deu de cara com o muro negro de todos os dias. Ao seu redor, ninguém havia acordado ainda, assim, Júlio resolveu contemplar as sombras que se moviam no seu muro escuro e sem vida.
Quando levantou a perna direita, dando um passo para trás, ouviu o som das correntes de ferro avisando-lhe que estava se distanciando da sua posição, que estava se distanciando do muro e que isso poderia ser muito perigoso. Ao invés de retornar os pés às pegadas deixadas por ele mesmo no chão arenoso, decidiu que daria mais um passo para trás e, dessa vez, as correntes reclamaram mais alto ainda.
Júlio andou mais alguns passos para trás, chegando perto de uma saída e percebeu que, aos poucos, a luz aumentava e que as sombras ficavam cada vez mais distantes dos seus olhos, a luz era muito forte, mal podia levantar seus olhos a altura do céu. Olhou então para o chão e percebeu o brilho de uma pequena chave na areia: era a liberdade, um novo mundo.
Ao se desprender das correntes enferrujadas, Júlio se sentiu desprotegido, como se seus conceitos já não servissem para o Novo Mundo em que se encontrava, conceitos pequenos, obsoletos, triviais. Caminhou por muito tempo sob a forte luz do Sol, observando, primeiramente, o chão de areia branca, depois a água azulada que quebrava as ondas em seus pés, depois o horizonte avermelhado do entardecer, para, finalmente, poder levantar a os olhos até o Sol (a luz que jamais havia encarado antes) que antes segava-lhe pela magnitude do seu brilho.
Júlio, vendo quantas idéias novas haviam no Sol, maravilhou-se e lamentou-se em perceber tudo que tinha encontrado fora da sua caverna e que tantos ainda estavam presos lá. Sem demora, retornou ao seu lugar de origem, com esperança de poder mostrar o Mundo para aqueles que apenas contemplavam as sombras no fundo da caverna.
Chegando à caverna, Júlio imediatamente pôs-se a contar sobre a areia, a água, o horizonte e o Sol e como era belo o Mundo, que tudo continha perfeição e novas idéias. Os homens sentados, ao escutarem a estória de Júlio, desconfiaram da sanidade de seu amigo: olharam-se todos e levantaram, ficando a altura de seu amigo, perguntando-lhe se estava bem, se não era um mal sonho que havia lhe acometido na noite anterior, mas Júlio negou sorridente, insistindo do que se passara naquele dia. Os homens não tiveram dúvida: atiraram-lhe à morte, sem hesitar e desconfiar do que seu amigo haviam contado, sem duvidar do um mundo real.

11 comentários:

Filippe disse...

Maneiro o post!!

Parabens

Jonh Oliver disse...

otimo texto, deu um pouquinho de pena do julio =/

CAMILA de Araujo disse...

Coitado do Julio :/

www.conto-um-conto.blogspot.com

Thais Reis disse...

incrível o texto,gostei mesmo...
muito bom
deu um pouco de pena do Julio =/

Luana Andrade disse...

Ele saiu da zona de conforto abandonando o convencionado e foi punido mortalmente. Isto é atualidade! Adorei... Abraço

Guilg7 disse...

o Júlio parece ser um cara comum no começo,mas dps ele se metarmofosia d vez num estalar d dedos....

mto ótimo essa história....d+ seu blog;...

http://lg7fortalezace.blogspot.com/

vlw

TATA CRISTINA disse...

Caraca!! Coitado do Júlio!!
Bem loko, seu texto, gostei!
Beijos

Jean B. disse...

assim sao os martires, com sua visão do algo mais, do q está escondido dos q vivem no escuro, mas no fim aqueles q queria libertar acabam lhe odiando.

http://confissoesdamadrugada.blogspot.com/

Anônimo disse...

É o que muitas vezes se faz com os considerados "loucos", até mesmo nos dias de hoje!

=S

gostei da história =)

beijo beijo

Jean Bitencourt disse...

Oh coitado do Julio hehe... ótimo texto. Parabens pelo blog...
Bjo

http://webmaster-jp.blogspot.com/

P. Florindo disse...

As pessoas costumam temer a mudança e preferem ficar ali, acorrentadas nas sombras, sentindo-se "seguras" aqui naquele mundo escuro.

É bastante comum que as pessoas se sintam ofendidas quando uma pessoa arrisca a se libertar e ainda mais ofendidas quando alguém tenta encorajá-las a ir para a luz. Bom... soubemos qual foi o destino do Júlio...