- Você quer sorvete?
- Quero!
O parque estava cheio no domingo. João resolvera convidar Juliana para dar um passeio, finalmente o homem teve sossego do trabalho e foi nela que o pensamento foi primeiro assim que a sirene da construção tocou.
- Vai querer que sabor?
- Morango.
José também fez planos de se divertir no domingo, só não sabia por onde andava Juliana, mas foi ao parque sozinho mesmo assim: “Quem sabe”, ele pensava, “ela também não está por aquelas bandas. Vai ficar surpresa quando me encontrar...”. A barraca de José ficava a duas barracas da casa de Juliana ou “Moçinha”, como José gostava de chamar.
- Pra você.
- Obrigada, João. Olha lá!
- O quê?
- As rosas! Compra uma pra mim?
- Compro sim, vamos.
João e José não se conheciam, a não ser por aquele dia, perto da Boca do Rio e, claro, por causa de Juliana, menina ainda. Nesse dia, a moçinha decidiu usar o vestido branco de bordado rosa que a avó tinha dado de presente no mesmo dia – era seu aniversário.
- Olha a roda, João!
O sol estava onde sempre deveria estar, assim como a grama, as árvores, tudo certinho, e José também, por assim dizer. Vestiu a camisa azul claro que só usava em ocasiões muito especiais, lustrou os sapatos, fez a barba e usou até colônia. Desceu do bonde apressado e ansioso pela certeza de encontrar a moça no parque. Decidiu começar a procura por onde havia mais gente, pois Juliana era animada e, segundo ele mesmo, sempre tinha muita animação onde havia multidão. Fez a busca, sem muito sucesso no início, mas bastou um segundo para reconhecer os cabelos castanhos no sol: Juliana, vestida de branco, brincava de roda perto do rio.
A menina sorria e pulava, animada com a brincadeira e a companhia:
- Ô, João, corre mais! – insistia a garota.
- Calma! A roda ta girando muito rápido!
O rapaz José inclinou um pouco a cabeça tentando decifrar o porquê de tanta felicidade, olhou para o lado direito da menina e viu mais um sorriso feliz: João dançava e ria com Juliana e esta segurava um sorvete e uma rosa vermelha na mão.
José permaneceu imóvel por alguns minutos, longos minutos, e refletindo, tentando ligar os pontos na imagem que se movia em sua frente: Juliana sorrindo para um rapaz que, provavelmente, teria lhe comprado a rosa e o sorvete, ambos de cor rubra.
- Cuidado, Juliana! Não vai cair! – falou João e fez a menina rir.
José lembrou-se das ilusões intermináveis com a menina: lembrou da ilusão do domingo no parque, em que ia surpreender a moçinha com um encontro casual, que ele seria o rapaz a pagar o sorvete gelado e a rosa vermelha com espinhos. Imaginou tudo o que poderia ter sido o domingo e enfiou as mãos nos bolsos, como um cão que não consegue comida, mas não se conforma com a fome, uma vítima injustiçada pelo destino. A mão direita, aconchegada no fundo do bolso da calça cinza de linho, encontrou uma lâmina, uma faca. Surpreso com o achado, retirou a arma do bolso e correu ao encontro dos namoradinhos que fizeram o seu domingo tão infeliz. João ainda sorria para a Juliana quando José empurrou duas criancinhas do caminho, fazendo-as correr chorando para a mãe.
Juliana ouviu os berros das criancinhas e virou-se para ver o que acontecia por ali e encontrou os olhos vermelhos e furiosos de José. A menina pensou e dizer “oi” e cumprimentar o vendedor de hortaliças da feirinha perto da sua casa, porém, sentiu João largar as suas mãos, deixando a rosa cair no chão e, depois, o sorvete despencar na grama. José não demorou na vingança e, com alguns golpes, abraçou João e manchou a camisa de sangue do golpe que inferiu no pescoço do rapaz, depois manchou os sapatos com o sangue de Juliana e deixou os dois corpos caídos numa grama vermelha.
Um domingo no parque, com rosas vermelhas, sorvetes gelados e amores acabados.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
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11 comentários:
axo que as pessoas nao estao comentando pois nao da pra ler o que ta escrito, muda a cor da letra, coloca branco :D
Muito bom!! Muito bom mesmO!! Exatamente o tipo de conto que eu gosto de ler!! :D
Parabéns!!
adoro contos.
vc tem talento pra coisa.
parabéns!
Gostei do texto!
Obrigada por me seguir, vc também acaba de ganhar uma seguidora. rs
Abraços...
Ah! Adorei seu perfil também...
O oposto de tudo que eu li??? Ui que medo! rs
Brincadeiraaaaa...
Muito bom, voc~e conseguiu transformar a música de Gil num belo conto. Parabéns!
CARACA MEU. ACHEI QUE ERA UMA DAQUELAS HISTÓRINHAS DEAMOR COM FINAL FELIZ...
UAUAU
PSICOPOST!!!!!!
MANEIRO!!!
Olá...
Um belo conto para os dias...
E as rosas - florescendo palavras, encontros e desencontros...
Abraços
Everaldo Ygor
"o rei da brincadeira ê josé" gostei do conto, conhece a mojo books? eles se dedicam a publicar textos influenciados por canções.
Acho que drama é contagioso, não? aushuahs
hmm, bem simples o enredo e uma bela frase no final.
Issaê Modinne o/
É inutil dizer q o amor nao nos leva a isso, e sim a raiva ou a decepção. Nao digo belo, digo um conto intrigante no começo com um grande cho q no final
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