sexta-feira, 17 de julho de 2009

Domingo no parque

- Você quer sorvete?
- Quero!
O parque estava cheio no domingo. João resolvera convidar Juliana para dar um passeio, finalmente o homem teve sossego do trabalho e foi nela que o pensamento foi primeiro assim que a sirene da construção tocou.
- Vai querer que sabor?
- Morango.
José também fez planos de se divertir no domingo, só não sabia por onde andava Juliana, mas foi ao parque sozinho mesmo assim: “Quem sabe”, ele pensava, “ela também não está por aquelas bandas. Vai ficar surpresa quando me encontrar...”. A barraca de José ficava a duas barracas da casa de Juliana ou “Moçinha”, como José gostava de chamar.
- Pra você.
- Obrigada, João. Olha lá!
- O quê?
- As rosas! Compra uma pra mim?
- Compro sim, vamos.
João e José não se conheciam, a não ser por aquele dia, perto da Boca do Rio e, claro, por causa de Juliana, menina ainda. Nesse dia, a moçinha decidiu usar o vestido branco de bordado rosa que a avó tinha dado de presente no mesmo dia – era seu aniversário.
- Olha a roda, João!
O sol estava onde sempre deveria estar, assim como a grama, as árvores, tudo certinho, e José também, por assim dizer. Vestiu a camisa azul claro que só usava em ocasiões muito especiais, lustrou os sapatos, fez a barba e usou até colônia. Desceu do bonde apressado e ansioso pela certeza de encontrar a moça no parque. Decidiu começar a procura por onde havia mais gente, pois Juliana era animada e, segundo ele mesmo, sempre tinha muita animação onde havia multidão. Fez a busca, sem muito sucesso no início, mas bastou um segundo para reconhecer os cabelos castanhos no sol: Juliana, vestida de branco, brincava de roda perto do rio.
A menina sorria e pulava, animada com a brincadeira e a companhia:
- Ô, João, corre mais! – insistia a garota.
- Calma! A roda ta girando muito rápido!
O rapaz José inclinou um pouco a cabeça tentando decifrar o porquê de tanta felicidade, olhou para o lado direito da menina e viu mais um sorriso feliz: João dançava e ria com Juliana e esta segurava um sorvete e uma rosa vermelha na mão.
José permaneceu imóvel por alguns minutos, longos minutos, e refletindo, tentando ligar os pontos na imagem que se movia em sua frente: Juliana sorrindo para um rapaz que, provavelmente, teria lhe comprado a rosa e o sorvete, ambos de cor rubra.
- Cuidado, Juliana! Não vai cair! – falou João e fez a menina rir.
José lembrou-se das ilusões intermináveis com a menina: lembrou da ilusão do domingo no parque, em que ia surpreender a moçinha com um encontro casual, que ele seria o rapaz a pagar o sorvete gelado e a rosa vermelha com espinhos. Imaginou tudo o que poderia ter sido o domingo e enfiou as mãos nos bolsos, como um cão que não consegue comida, mas não se conforma com a fome, uma vítima injustiçada pelo destino. A mão direita, aconchegada no fundo do bolso da calça cinza de linho, encontrou uma lâmina, uma faca. Surpreso com o achado, retirou a arma do bolso e correu ao encontro dos namoradinhos que fizeram o seu domingo tão infeliz. João ainda sorria para a Juliana quando José empurrou duas criancinhas do caminho, fazendo-as correr chorando para a mãe.
Juliana ouviu os berros das criancinhas e virou-se para ver o que acontecia por ali e encontrou os olhos vermelhos e furiosos de José. A menina pensou e dizer “oi” e cumprimentar o vendedor de hortaliças da feirinha perto da sua casa, porém, sentiu João largar as suas mãos, deixando a rosa cair no chão e, depois, o sorvete despencar na grama. José não demorou na vingança e, com alguns golpes, abraçou João e manchou a camisa de sangue do golpe que inferiu no pescoço do rapaz, depois manchou os sapatos com o sangue de Juliana e deixou os dois corpos caídos numa grama vermelha.
Um domingo no parque, com rosas vermelhas, sorvetes gelados e amores acabados.

11 comentários:

Unknown disse...

axo que as pessoas nao estao comentando pois nao da pra ler o que ta escrito, muda a cor da letra, coloca branco :D

José Júnior disse...

Muito bom!! Muito bom mesmO!! Exatamente o tipo de conto que eu gosto de ler!! :D

Parabéns!!

Anônimo disse...

adoro contos.
vc tem talento pra coisa.
parabéns!

Blogueira disse...

Gostei do texto!

Obrigada por me seguir, vc também acaba de ganhar uma seguidora. rs

Abraços...

Blogueira disse...

Ah! Adorei seu perfil também...

O oposto de tudo que eu li??? Ui que medo! rs
Brincadeiraaaaa...

Inez disse...

Muito bom, voc~e conseguiu transformar a música de Gil num belo conto. Parabéns!

Itamar (japa) disse...

CARACA MEU. ACHEI QUE ERA UMA DAQUELAS HISTÓRINHAS DEAMOR COM FINAL FELIZ...

UAUAU
PSICOPOST!!!!!!

MANEIRO!!!

Everaldo Ygor disse...

Olá...
Um belo conto para os dias...
E as rosas - florescendo palavras, encontros e desencontros...
Abraços
Everaldo Ygor

Danilo disse...

"o rei da brincadeira ê josé" gostei do conto, conhece a mojo books? eles se dedicam a publicar textos influenciados por canções.

Ágda Santos disse...

Acho que drama é contagioso, não? aushuahs
hmm, bem simples o enredo e uma bela frase no final.
Issaê Modinne o/

Jean B. disse...

É inutil dizer q o amor nao nos leva a isso, e sim a raiva ou a decepção. Nao digo belo, digo um conto intrigante no começo com um grande cho q no final