- Essa tal de “Inocência”, não a entendo! Por que acreditar na verdade de um desconhecido? Acreditar no “sim” fiel e leal... Por quê? – você se pergunta todas as manhãs.
Infelizmente, não posso lhe explicar, você não vai entender nem sequer os conectivos das frases, o que dirá o sentindo da Inocência! Não, não, isso não se compreende, isso se é, e você, sem dúvida, não é, aliás, nós não somos. Quer saber quem entende, ou melhor, entendia? Engraçado, você vai rir: você.
Sim, você costuma entender como a lua e o sol trocavam de lugar durante um ano inteiro ou, até mesmo, porque os gatos dormem tanto. Costumava entender porque (e como) as rosas desabrocham e, também, porque jiló é tão amargo – você fazia cara feia e contava “Jiló é amargo porque é ruim, ora!” e todos ao seu redor riam, pois pensavam saber a verdade sobre o sabor do pobre e desprezado jiló, já você, se perguntava qual era a graça nisso tudo (talvez fosse a sua voz ou, quem sabe, o próprio jiló).
Você também costuma explicar como as árvores crescem sem ao menos entender de biologia e botânica, e ainda nos descrevia com detalhes todos os momentos da planta, desde o broto até a época das folhas caírem:
- Elas caem porque é inverno e tudo fica mais triste, não concorda? – você indagava.
- Sim, deve ser por isso...
- Você sabe por que elas nascem e crescem?
- Não imagino um motivo consistente o bastante, diga-me o porquê.
- Para fazerem sombra quando queremos ler um livro ou desenhar sentados na grama. Caso contrário, não teríamos conforto algum em momentos de prazer.
E todos riam, talvez pensando o quanto você fosse bobo e insignificante diante dos pensamentos profundos e científicos dos homens, e você, mais uma vez, não entendia as risadas ecoantes, muito acima da sua cabecinha genial.
- O que é isso?
- É a lua.
- Lua?
- Sim, não vê bem?
- Hahahaha... Faltam as crateras, não?
- Como assim?
- Crateras são formações rochosas na superfície lunar e você não as desenhou aqui.
- “Formações rochosas”...? – e você pensava como existiriam essas tais “formações” que o homem disse: “Mas é lisa toda a vida, como pode? É só olhar no céu, à noite!” e se questionava mais e mais. Você se questionou tanto que se esqueceu até do amargo do jiló e acabou comendo, sem querer, e achou tudo isso muito natural; daí você também se desfez das explicações, que eu preciso dizer, eram mais sólidas e simples que outras, e se deteve apenas às teorias sobre como nascem e crescem as plantas e porque as folhas caem no inverno e no deserto, o porquê das folhas serem verdes, e descobriu a clorofila, oxigênio, o gás carbônico, os fótons. Viveu, também, as amizades, as paixões, as provações e a solidão. Tornou-se finalmente um adulto e foi trabalhar de terno e gravata, comprou carro, namorou, casou e teve filhos, deu-lhes nomes bíblicos e riu dos desenhos de luas, explicações sobre botânica e os obrigou a comerem jiló amargo. Finalmente os criou e fez questionarem as próprias verdades, crescendo, assim como você.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)

12 comentários:
Está um pouco difícil entender o que você quiz dizer com esse texto.
Me parece uma pessoa adulta se questionando a respeito do mundo infantil, o fato de não entendê-lo muito bem.
Vc pode linkar, divulgar e republicar qualquer texto meu (desde que com os créditos de autoria e fonte).
Gostei muito do seu comentário.
Vou voltar aqui logo mais para ler alguma coisa sua.
Beijão.
Genial e intrigante.
Vc cada vez melhor com as palavras,quantas vezes já te disse isso?hehehe..Parabéns mais uma vez.
www.teoria-do-playmobil.blogspot.com
É a sabedoria cristã. Ora, só entrarão no reino de Deus os inocentes, não? Isso reduz os moradores dos céus às crianças e alguns caducos.
Ainda temos muito que aprender com as crianças. Elas não serão. Elas são.
Muito bom, menina Jéssica.
Só não entendi o que você tem contra o jiló. rsrs
¡Adiós!
Nossa eu viajei totalmente...No começo eu fui indo com o ritmo do texto e no final fiquei com milhões de questionamentos aqui na minha cabeça maluca...ashuhsuahs
Mas tá bacana ;)
Essa transição de faixa etária ajuda a levantar tantas questões. E, se souber conduzir, elas irão durar por mais tempo, mantendo a alma jovem.
Acho que foi fácil entender o que quis dizer, talvez, por estar passando pela mesma fase. (se é que isso existe)
;**
Faz parte de nossa vida perder essa inocencia tao feliz e saudavel, pois as perguntas e a dúvida nos tomam e nos levam a achar respostas q nao queremos. O pior disso é que no nosso mundo moderno isso acontece cada vez mais cedo.
Ps: obg pela visita hj ainda devo ta postando a segunda parte do conto
Está um pouco difícil entender o que você quiz dizer com esse texto. [2]
eu eu sou burro mesmo.
Eu já ri de tanta coisa que imaginava pensar na ifancia, mas algumas vezes preferia sentir certas coisas de criança, do que hoje, como adulto.
Bjs!!!
http://blogpontotres.blogspot.com/
Atualizado!!!
Um Tempo, Um Jovem e Um Dilema
Texto cheio das duvidas, o ser humano é cheio das duvidas. Acho que as pessoas que questionam sãoa s que mais se destacam das outras. Einstein, Freud entre tantos são exemplos de pessoas que questionaram, e fizeram pessoas como nós (digamos normais) a pensar sobre a vida.
;]
Ciclo da vida...
Num momento temos todas as perguntas e, na falta das respostas, somos obrigados a criá-las.
Noutro momento, temos respostas para perguntas que muitas vezes não fazem sentido algum. E respostas sem perguntas não têm graça alguma.
Gostaria que, caso não conheça, viesse a visitar meu blog.
www.euzer.blogspot.com
Sua visita será bem vinda e bem recebida.
Jessica, te indiquei a 2 selos, ta no post 'selos e afins' só clicar em postagens mais antigas que ele vai estar logo lá!
Anda meio sumida.Espero que não tenha acontecido nada e vc só esteja aproveitando as férias...rs
www.teoria-do-playmobil.blogspot.com
Postar um comentário