domingo, 19 de julho de 2009

Da autora

Letras soltas são o que eu tenho, formações quase inexpressivas de pensamentos e sentimentos, de mediocridade. E fecho os meus olhos pequenos e escuros sob uns óculos quadrados e penso, imagino qual palavra combina mais ou mesmo procurando por uma na ponta da língua.
Tem gente que prefere nem escrever e evitar tais problemas, mas eu não, nunca... Por mais que não existam expressões que completem os meus sentidos ou dizeres o bastante, eu as escrevo, mesmo que seja inventando e pulando em idéias, “desconcatenando” as interpretações que o resto faz quando lê o que eu (humildemente) me proponho a escrever. Mas critique o que eu escrevo, por favor: parece-me que, quanto mais os auto-intitulados “críticos” hesitam em dizer “mas que merda!” e franzir a testa para uma publicação desengonçada, mais eu perco a vontade de abrir o caderninho vermelho de espiral dourado e riscá-lo com lápis no. 2. Algumas pessoas olham bem o texto, inclinam a cabeça para a direita e dizem “Booom, muito bom! Parabéns!” e eu faço uma expressão de “obrigada” pensando “Quanta opinião!” sarcasticamente, claro. Ta bom, eu também faço esse tipo de comentário que todo mundo odeia, mas, desculpe, eu não sei nada de futebol ou atletismo, muito menos sobre religião, apesar de me arriscar com a apolítica (graças às segundas-feiras).
Tem vezes aqui que eu me apaixono – isso é freqüente – e dou um pulo da cama pra escrever: falo de estrelas, lua, sol, estátuas, trabalho, mármore, de qualquer coisa que eu ache conveniente, apesar de não combinar muito com o sentimento, ou então escuto música (clássica, de preferência) e tento descrever pacientemente os acordes de violão, as notas de piano, dos violinos e finjo que tudo o que eu escrevi são palavras de quem tem um amor correspondido – infelizmente, alguns acreditam: quem dera que a metade do que eu escrevi fosse um sentimento certo, pronto para alguém. A verdade é que nunca tem ninguém para os textos, o que você lê é uma idealização pobre e cheia de clichê. Também me aventuro em desabafos fúteis, como você pode procurar aqui: alguns estão um tanto escondidos com palavras bonitas, porém, se você tiver paciência, vai ver o quanto eles são juvenis e baratos – coisa de quem acha que escreveu um bom texto e espera muitos comentários e elogios, gente concordando, etc.
Também tenho vontade de escrever bem (se você notou os erros de ortografia e concordância), muita. Não, não é “sonho”, é um plano e estou pondo-o em prática, desde março desse ano, acredite, e eu prometo melhorar, mas, por enquanto, já fico feliz de publicar os meus contos aqui. Orgulho-me muito disso, sabe? Não sou do tipo que revela o que pensa depois que você me diz o seu nome, levam meses e, mesmo assim, você apenas consegue reunir pistas do que eu estou pensando (geralmente as pessoas não obtêm sucesso). Você só aprende a conviver com um humor seco, negro e sem graça que, de vez em quando, torna-se “charmoso”, daqueles que fumam um cigarrinho e bebem um gole de café preto sem açúcar... Você já bebeu café preto sem açúcar? Se não, não tente de primeira, vá diminuindo as medidas aos poucos: o gosto amargo – caso você queria experimentar - te dá um tapa seguido de uma gastrite imediata (na maioria dos casos), mas, enfim... Só aviso isso pela minha suspeita de úlcera. Ah, e eu não fumo, sou do tipo de pessoa que começa a tossir compulsivamente quando tem alguém fumando do lado, uma espécie de “protesto”, até porque o meu cabelo também não fuma.
Não toco instrumento nenhum, apesar de achar que “a música foi feita pra mim”, mas tenho uma vontade enorme de aprender bateria e formar uma banda ou de jazz ou... Jazz. Rock? É, pode ser, é bom e eu adoro, mas uma banda de jazz seria melhor: a minha música predileta e Decoupage, de Hank Levy (o cara não gostava das pessoas dançando jazz, eu acho que ele não sabia dançar, e compôs um ritmo pra ninguém conseguir também). Gosto imensamente e irrevogavelmente de Beatles e não simpatizo mais do U2, porque eles tentaram imitar a banda tocando do alto de um prédio (e isso foi imperdoável pra mim). Também não vou muito com a cara dos Rolling Stones, não sei porquê, deve ser a velha história dos Santos Que Não Se Cruzam, vai saber; nunca parei pra escutar Hendrix ou Joplin, e acho o Jim Morrison um gato – foi um gato - (e o vocalista do The Hives também – aquele malucão, lembra?). Também acho que a Elis Regina foi uma egoísta de ter limitado o seu trabalho quando morreu e que Caetano Veloso só era bom na época da ditadura, hoje em dia ele não tem mais o que protestar.
Tenho Orkut, Facebook, Deezer, Myspace, Last.fm e Twitter (só uso o primeiro – mentira, sigo 7 pessoas no Twitter) e não participei do #forasarney porque tava na cara que aquilo ali não ia dar em nada - ou você achou que o senado ia dar bola pra “opinião pública”? – e, caso exista alguém nesse mundo que queira me seguir em qualquer rede social fique avisado: eu não vou dar bola pra você, não vou parar pra ler os seus recados, mas vou falar quando precisar. O que acontece é que eu sou do tipo que prefere amizades “ao vivo”, internet só serve para “contatos” e nada mais.
O que mais? Hum... Acredito que não tenha mais nada pra você saber de mim... Ah, sim: eu gosto muito de embromar, adoro fazer coisas sem fundamento algum e acho que encher lingüiça é um esporte para “poucos e bons”, pra pessoas que “sabem” (eu não pertenço a essa minoria tão talentosa). O post termina aqui dizendo “Muito prazer!” pra quem achava o meu perfil pequeno e informando que esse talvez seja o último mês do ano em que eu vá postar algo por aqui, infelizmente. Mas, sabe como é, né? Escolhas também significam sacrifícios.
Até mais.
=)

14 comentários:

Karina Kate disse...

Ahaha a parte em que vc diz ter tantos perfil em sites de relacionamento é véro. Tambem tenho mais sempre acabo unsando só um ou outro.

Luana Andrade disse...

Jess,
Dissecar-se. Foi o que a autora deste espaço fez.
Expor-se, cantarolar sua melodia interna. Variando por preferências vivenciais e literatura pura. Apresentou-me objetivos, surpreendeu-me com a franqueza de descrição própria e criou este impulso de comentário no meu âmago. Fiquei meio aturdida pela declaração final, porém não irei esmiuçar vestígios uma permissão, sua, por sinal. Um sonoro beijo! Passar bem Srta. Jessica Modinne.

Unknown disse...

um tempo atras eu smepre escrevia oke estava sentido...não tinah coragem de falar, então pra tirar de dentro de mim escrevia...foi assim que começei a gostar de escrever...ate fiz varias musicas...com tudo que estava sentindo...

Alan Salgueiro disse...

Uma descrição para um até mais, até logo, adeus?
Bom, instiga a ponto de já gerar uma 'saudade', pois se houver o hiato, perderemos belas palavras. As divagações não poderiam ser mais sinceras, mesclando momentos de autoconhecimento e descobertas.

Bruno Silva disse...

Lembrei-me do meu passado também. Passei por esses momentos e hoje escrevo por purgação, para purificar-me. Gosto daqui. Num sei, só gosto.

CAMILA de Araujo disse...

Vou te seguir no twitter,tá?
Vamos manter contato!

www.teoria-do-playmobil.blogspot.com

Danilo Moreira disse...

Senti vc em um ritual de auto purificação, como se estivesse desabafando. Lindo isso.

Tb faço esse tipo de coisa, confesso q já o fiz muito mais, mas, tem horas q eu preciso fazer isso. Acaba sendo mais eficiente do que tentar apenas dizer alguma coisa, as vezes a alguem q nao está tao a fim assim de te ouvir.

Bjs!!!

Qdo puder, venha Delirar comigo...

http://blogpontotres.blogspot.com/

Delírio - Ódio

Morgana disse...

Quando você falou sobre 'textos que parecem de amor correspondido' eu me lembrei de mim mesma. Porque eu não sei você; mas eu já fiz muito isso. Escrever clichês, e coisas lindas, para os outros. Porque todo mundo acha que o que você escreve, está acontecendo com você. Comigo nunca foi assim. São textos que ora relatam o que acontece comigo; e ora relatam o que eu desejei que acontecesse. Ou ainda desejo. Porque escritor que é escritor, escreve para os outros. Esses textos se encaixarem na própria vida, ah, isso.. é consequencia. :D

A propósito, quanto a Beatles e Rolling Stones, todos sabemos que os dois são bons, mas é sempre a mesma história do 'duelo de titãs'. aiheaioehiaoehoiaeh! O que me conforta, é saber que os caras das duas bandas se davam muito bem, e essa disputa é decorrente de fãs. Mas uma rivalidadezinha não mata ninguém não é? AIEHAIOEHIAHE! E o Jim Morrison era sim um gato. (necrofilia u ó loca.haha) adorei o texto Jéssia :D
beijo!

Bruna disse...

Bem, em muitas coisas eu percebo semelhanças entre o nosso modo de pensar.
Eu, realmente, espero críticas, pois sei que os meus textos não são lá muito bons, mas sei também que o esforço pode superar o dom nato.
Por muitas vezes, também levanto a noite para escrever antes que as palavras fujam e meus sentimentos/pensamentos não sejam transpostos adequadamente.
Notei, que quando você começa a escrever parece não conseguir terminar o que deve causar algum problema nas suas redações dissertativas que exigem objetividade.
Andei treinando para não extrapolar(se é assim que se escreve) e vai uma dica pra ti:
Tente usar menos palavras, às vezes duas ou três bastam para traduzir aquilo que queríamos dizer e nunca conseguimos.
Abraços


(2ª vez que comento, sem o mesmo entusiasmo que da primeira, mas espero que seja válido)

Ágda Santos disse...

Depois de ler tuuuudo isso eu achava que ia ter as tais palavras aleatórias de idéias. - releve isso. -
Bom, agradeço pela parte esclarecedora sobre o lance de amizade. Acho que polpou não só o meu tempo em tentar qualquer aproximação como de outras pessoas também.
Ah, escute um dia Hendrix ou Joplin.
:]

Bruna disse...

Rsrs sabe quando você escreve uma coisa, que dá até vontade de chorar de emoção?
Então, foi o comentário que escrevi pra você rs só que ai...
A net caiu --'
(putaquepariu)
ai eu escrevi tudo pela segunda vez e num ficou tão bom quanto a primeira tends??

Anônimo disse...

Parace que estava lendo um formulário de "como eu escrevo" ou um desabafo rsrsrs Passo por muitos momentos como estes também. O que mais me irrita em blogs são aqueles "leitores" que reclamam do tamanho texto, ou parceiro de link enchendo o saco, até que cheguei a conclusão de que não escrevo para o blog. Esse era meu intuito no começo: publicar o que escrevo e compartilhar meu conhecimento. Mas por um momento quis ser pop e até compactei os textos para uma breve leitura, mas não dá. A respeito das pessoas que entortam a cabeça quando le um texto seu, saiba que brasileiro (na sua grande maioria) tem preguiça para ler, então não é uma opinião relevante. Use seu espaço para se aperfeiçoar, mantenha uma boa relação com seus leitores, e deixe para lá. Adorei o txt.

Beijos!

lagarta.listrada disse...

Você está indo, porém esteve bastante.

Eu voltei, porém foi só esta noite...





Não quero desistir das palavras.
(Sejam estas minhas ou não)

Anônimo disse...

Gostaria de fazer uma critica. Mas, ao que? Adorei. Nunca bebi café amargo, nem com açúcar, só uso adoçante. Percebi que isso pode falar muito de mim (ou não?). Já tive gastrite, de todos os jeitos evoluiu pra úlcera, prefiro não arriscar mais. Um esforço sempre é bom. Sempre. O teu jeito seco e sei lá o que mais é ótimo, és melhor que isso? paguei pau agora néé =D ah, erros ortográficos é comigo mesmo. sry.